domingo, 28 de agosto de 2005

A Cratera Tycho em 20050824


No passado dia 24 de Agosto, e no local de observação em que me encontrava, Arcos de Valdevez, as condições atmosféricas não eram as melhores devido aos vários incêndios que afectaram também o Distrito de Viana do Castelo.
Apesar disto, resolvi montar o LX90 para fazer uns avi’s e tirar uns bonecos da Lua. O resultado mais notável dessa noite foi a foto, como se pode ver nada extraordinária, mas que anexo e sobre a qual este texto vos dará conta do que nela encontrei.

A formação mais proeminente, no topo central da foto, é a Cratera Tycho.
Embora com um diâmetro médio de 85km e uma profundidade de cerca de 4800m, é possível ser observada a olho nú e revela os seus detalhes mais evidentes logo quando observada com uns binóculos de 50mm de abertura.
Face ao conhecimento geológico que possuímos sobre a Lua, Tycho será uma cratera muito jovem na morfologia lunar. Estima-se em 100 milhões de anos a sua formação.

Um dos aspectos através dos quais poderemos avaliar, embora de forma muito pouco rigorosa, a “idade” das formações lunares é observar detalhes que possam ser relacionados com um tempo posterior ao da formação. Por exemplo, se numa cratera observamos outras crateras, se estas crateras “secundárias” apresentam ainda outras crateras sobrepostas, se as paredes estão aparentemente “intactas” e não erodidas ou submersas, total ou parcialmente, por outros materiais ou crateras, se os picos centrais surgem notoriamente formados ou derrocados.
Claro, convém não esquecer que a distância que nos separa é sempre muito próxima dos 400mil quilómetros e juntando o efeito da iluminação/sombra, e qualquer que seja a abertura do nosso instrumento de observação, estes aspectos de detalhe terão de ser sempre analisados com tempo, confirmados posteriormente, e melhorados com o recurso a imagens fotográficas de que não só as missões da NASA são recurso.
Assim, noutras condições de iluminação e captação, a Cratera Tycho surge mais majestosa e detalhadamente dramática, tal como nesta foto de
Steve Massey


Outro aspecto interessante recolhido na primeira foto, é o sistema de raios que têm origem em Tycho.
Na superfície lunar existem várias crateras com “ramalhetes” de raios de extensão e largura variável. Muitos deles visíveis a olho nú em noites de límpida lua cheia, como será o caso da nossa cratera Tycho mas também de Copérnico, têm na sua origem a velocidade de impacto e sobretudo a composição do solo nesse ponto e em redor, como resultado dos materiais ejectados a longa distância. Note-se que os efeitos do impacto que deu origem à cratera Tycho prolongam-se por mais cerca de 150km de que o sistema de raios decorrente é testemunho.

Outro aspecto ainda interessante na foto do dia 24 de Agosto, no canto inferior esquerdo, é a captação de parte da complexa Cratera Deslandres.
Esta Cratera com cerca de 4 a 5 mil milhões de anos encontra-se já bastante afectada por posteriores impactos, estando as suas paredes marcadas por outras crateras.

Resta ainda dizer que a foto é uma composição de duas fotos, uma colorida e na qual o canal verde foi sobrevalorizado, a outra a preto e branco, ambas tiradas de dois avi’s de 30’, 10 fotogramas por segundo, com uma exposição de 1/33 e baixo ganho. O Norte está para cima.

terça-feira, 12 de julho de 2005

Pação 20050702


O relato da observação a seguir descrita foi realizado no passado dia 2 de Julho, entre as 10H45 e a 01H45 do dia seguinte.

Devo dizer que o LX90 continua a surpreender-me e se esquecer algumas questões, principalmente a perda de algum contraste e um sistema de focagem um pouco “trambolho”, penso ter recebido um instrumento com umas ópticas razoáveis e um amigável GOTO, que deixa os objectos bem dentro do campo das oculares de média potência.
O alinhamento é fundamental e no futuro tentarei ir mais longe realizando-o com oculares de maior amplificação.

Da próxima vez preciso também de o colimar …. ;-)

Bom, às 23H07 Júpiter ainda estava bem alto no quadrante oeste e era minha intenção fazer uma pequena sessão de recolha de imagens, só que o Zeus dos planetas exteriores
Já se encontrava sobre o telhado da casa e, tendo sido um dia de trinta e tais graus, todo o calor que as telhas libertavam borraram a pintura toda. Ficará para outra altura.
O que não fica para outra altura foi o facto de ter observado uma curiosa disposição dos satélites de Júpiter: as 4 luas maiores mostravam-se bem, 2 para cada lado do maior planeta, mas enquanto Io e Calisto, de um lado, se encontravam bem afastados entre si, do outro lado, Europa sobreponha-se de muito perto a Ganymedes.
Uma visão muito interessante.
E como o resultado da minha projectada sessão fotográfica não melhorava dediquei-me ao céu profundo.

Apreciei a diferença de magnitude entre 2 Enxames Globulares, M12 e M10, ambos na Constelação de Ofiúco.
Depois, com a ocular de 15mm, M14, ainda em Ofiúco foi o próximo objecto, mudei para a ocular de 26mm, com uma amplificação menor (cerca de 77x no LX90) e, este glóbulo de luz difusa em Ofíuco tornou-se, naturalmente, mais compacto.
Para mim M11 não é o pato selvagem que dizem ser … tenho sempre uma grande dificuldade em “ver” a maioria das figurações que os objectos do céu parecem projectar na mente dos humanos. Este enxame aberto, colocado na mira do meu telescópio apresentou-se muito bonito na forma dispersa como dispõe as suas inúmeras estrelas. Tentei melhorar o detalhe, passei para a ocular de 15mm (133x) e consegui descortinar uma estrela central com uma magnitude superior às circunstantes. Deixei a Constelação do Escudo e fui a M31. “Como será nestes céus do Alto Minho?”
Contudo, às 00H55 ainda estava a sofrer a influência da poluição luminosa da pequena cidade próxima. Ainda rosquei o filtro Skyglow da Orion mas não melhorou o suficiente. Fica para outra vez …

À 01h00 surge o esplendor de M13, na Constelação de Hércules. Milhões e Milhões de estrelas!
Para variar um pouco visitei Albireo, Alpheratz e Veja. E já que cirandava pela Constelação de Lira voltei a M57 e a outra nebulosa planetária, M27, na Constelação da Raposa. A forma com que esta nebulosa se apresenta faz-me lembrar um laçarote.
Outros objectos observados, M15, M16, M17, M20, M22, encerraram a noite.

domingo, 10 de julho de 2005

Estrelas no Iogurte

Hoje, quando cheguei a casa, li o seguinte na tampa de um iogurte colado aos azulejos da cozinha.

"Nem todas as estrelas estão no céu. Tu estás aqui!"

Aqui há uns anos achava que isto seria premonitório ou teria uma segunda intenção.
Pelo menos, seria estranho.

Hoje, quando cheguei a casa, há uma tampa de iogurte colada aos azulejos da cozinha.

quarta-feira, 6 de julho de 2005

Portugueses na Sky & Telescope - Parte II


Uma das notícias agradáveis da edição de Julho da S&T, foi a inclusão de artigos dedicados a 3 Astrónomos Amadores Portugueses.
Na entrada do dia XXXX, já falamos sobre a recensão à edição em Língua Inglesa do Livro de Guilherme de Almeida “Roteiro do Céu”, hoje vamos dar conta do trabalho do Filipe Alves e do Hugo Valentim.

O Hugo mantém há muitos anos o Astrotips, um sítio
aonde é possível encontrar muito software dedicado à Astronomia.
Planetários, Simuladores, Blocos de Notas especializados, Calculadoras de Efemérides, Jogos, etc. etc., freeware, shareware ou versões de demonstração, tudo, ou quase tudo está lá, é só necessário ir e procurar.
A dificuldade às vezes está na escolha, mas também para isso é que existem os diferentes fóruns associados.
A S&T refere-se ao Astrotips elogiando a constante actualização da base de dados, mas também a uma inegável falta de participação nos diferentes fóruns e também no diminuto número de comentários dos utilizadores e valorização de cada um dos programas disponibilizados. Apesar disso, é um sítio que visito com regularidade e do qual retiro alguns programas que experimento ou uso nas minhas observações.

Com um artigo de 3 páginas e, como é habitual na S&T preenchido com inúmeras fotografias de boa dimensão, soubemos como o Filipe Alves, usou programas de processamento de imagem com o Adobe Photoshop e coloriu a Lua.
O efeito final do trabalho de processamento explicado, permite a localização de zonas da superfície lunar onde a cor da foto está associada à predominância deste ou daquele elemento químico.


quinta-feira, 30 de junho de 2005

Portugueses na Sky & Telescope - Parte I



Na revista de Astronomia Amadora Norte-Americana Sky&Telescope do mês de Julho, dá-se divulgação ao trabalho de 3 portugueses!
Mas, afinal, o que se passa?
Simples. Somos como os outros. Entre nós, desde os amadores aos profissionais, e em qualquer área de actividade, há gente de valor e de muito valor, sendo por isso natural que se lhes dê a visibilidade que merecem.
Quer isto dizer que ainda não demos prioridade à questão de nos tornarmos visíveis para nós mesmos. Todos.
Chegará o seu tempo e cada vez mais estaremos mais próximos desse objectivo.

O livro de Guilherme de Almeida, “Roteiro do Céu”, que recebe neste número da S&T comentários interessantes, e que podendo ser encontrado na edição portuguesa da Plátano, Edição Técnicas, foi traduzido para o Inglês e posto à venda em 2004 pela Springer, tem crítica da autoria de Joshua Roth.
Considerando o livro muito detalhado e caro (!), o JR estabelece comparações com um outro livro, mas ambos com o mesmo tema da apresentação e observação do céu a iniciados.
Alguns aspectos da crítica, nomeadamente aqueles que decorrem da opção de GA ter incluído vários temas e alargado a observação a um conhecimento um pouco mais profundo e substancial do conhecimento astronómico, pareceram-me aferidas pelo hábito norte-americano de tudo se simplificar, ou reduzir, às coisas do conhecimento imediato e direccionado, pois diz ele que: se o objectivo de GA seria o da observação dos céus, do conhecimento dos mapas celestes e da navegação visual pelo Universo, então não se deveriam incluir neste livro questões como o nascimento das estrelas, a razão para as suas cores e massa, etc., e os mapas de orientação celestes deveriam ter “menos estrelas” para se tornarem mais acessíveis e fáceis de seguir. Esta é a perspectiva americana, norte-americana, e que não tem paralelo na Cultura Europeia. Para o bem e para o mal …
Devo dizer que me agrada este livro de Guilherme de Almeida, este e os outros que tem vindo a publicar ao longo dos anos, e que merecem, de facto, relevo pela acessibilidade e pela divulgação, sem as habituais concessões ao corriqueiro e redutor, nem, tão pouco, ao vocábulo redondo a que nos habituaram alguns “doutos” que também se atreveram a editar obras sobre astronomia, e outras temáticas, só vagamente populares e acessíveis.

Reconheça-se também o trabalho de GA na divulgação popular da Astronomia enquanto ciência e cultura. Em Português.

segunda-feira, 13 de junho de 2005

Astromira - Parte II



Constelações do Sagitário, Escorpião e ainda partes de Ofiúco e Serpente




Nebulosa da Bifana

terça-feira, 7 de junho de 2005

Astromira - Parte I




Praia de Mira

Tal como noticiado anteriormente, assim aconteceu o ASTROMIRA de 2005, e no fim de semana passado, em companhia do Nuno Coimbra , estivemos em Mira.
A habitual animação destes eventos, localizados e/ou regionais, ou mesmo até nacionais, nunca é, de facto, muita.
Apesar do esforço de quem os organiza, e de quem lhes dá apoio, por maior que seja a propaganda em torno destes eventos, o cidadão teima em não aparecer.
E quanto à participação da população discente ... já todos sabemos como é durante o período "obrigatório" de aulas, quanto mais ao sábado de tarde!
Registe-se que às Palestras, ver os temas editados anteriormente, alguns jovens ainda marcaram presença. Depois aproximou-se a hora do Portugal-Eslováquia, e com o tempo os lugares e a presença foi-se reduzindo.
Acabam sempre, contudo, por ficar os astrónomos amadores, muitos deles vindos de muito longe, como foi o caso do Acácio Lobo, que aqui e ali participando em todas as actividades propostas, acabam sempre por se reunir mais em torno dos tubos ópticos e das lojas de artigos especializados ou, já para amena cavaqueira, à volta da barraca das bifanas e das cervejas.
Para além do esforço da organização, que será medido por critérios que para aqui não interessam ao caso, gostava também de referir um aspecto importante destas reuniões abertas: o contacto que aos forasteiros lhes é proporcionado sobre os aspectos culturais locais.
No final das palestras, e depois de umas observações do Sol no telescópio do Observatório Astronómico de Mira, favoreceu-nos a Organização com um passeio pelas redondezas com o acompanhamento esclarecedor de elementos da Associação dos Amigos dos Moinhos e Ambiente da Região da Gândara.

.
Moínhos de Ródízio

Foi um pequeno passeio pelos caminhos das Lagoa de Mira, pelos Moínhos de Rodízio, pelas Valas da Cana e do Regente do Rei, mas foi também um olhar envergonhado pelas atrocidades que continuamos a cometer: lixo de construção civil na borda dos cursos de água, pneus entre os jacintos invasores, casas do "novo riquismo" português a abrir feridas na paisagem arquitectónica tradicional dos Palheiros.
Foi também bom ver que os patos bravos têm voltado sempre e a águia-pesqueira por lá se mantêm.



Patos na Lagoa

terça-feira, 31 de maio de 2005

Encontros de Astronomia Amadora

Com o amenizar das temperaturas começam a surgir os Encontros de Astrónomos Amadores.

Desde já, e a Norte, o Núcleo de Mira da Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores vai realizar o Astromira 2005.

O evento terá lugar na Escola Secundária de Mira, no próximo sábado, dia 4 de Junho, e o programa é o seguinte:

15h00 – Abertura
15h30 – Início das Palestras

15h30 - ASTROEMIR – Brincar com o Cosmos
15h45 – Maria Natália – O Ensino da Astronomia nas Ciências
16h45 – Intervalo
17h00 – Rosa Doran – Os Universos de Einstein
18h00 – Inicio das Observações Solares – Observatório Astronómico ou, em alternativa Passeio Turístico pelo Concelho

19h30 – Jantar na Cantina da Escola
21h00 – Sarau Musical com a Orquestra Ligeira da Banda Filarmónica Ressurreição de Mira
21.30h – Inicio das observações nocturnas

Mais a Sul, em Lisboa, no Parque Eduardo VII, junto à Feira do Livro, e também neste sábado 4 de Junho, a partir das 14h30, o Clube Astronómico CA2000, a União de Astronomia e Astrofísica e o NÚCLIO, organizam o 4º Encontro Solar de Lisboa.
Observação de Manchas Solares, grânulos, filamentos, estudo de fotografias ali obtidas e a partilha de informações e convívio serão o mote.

Mas haverá mais …


http://observatorio-mira.planetaclix.pt/
http://www.ca2000pt.com/index1.htm
http://astronomiapt.org/.

sexta-feira, 20 de maio de 2005

Astronomia e Terrorismo

Àquilo que hoje se significa por terrorismo já muitos de nós teremos devotado um pensamento, uma acção, uma palavra, um sentimento.
A Astronomia sofre igualmente os efeitos deste movimento secularmente reactivado.

A revista norte-americana Sky&Telescope na sua edição de Junho e num artigo do seu editor chefe, fala-nos do processo, para eventual prisão, de que foi alvo um astrónomo amador que, a 4 de Janeiro passado, sob os céus de New Jersey, usava um laser de cor verde.

Estes dispositivos, com uma potência relativamente baixa, mas suficiente para a curta distância e certo ângulo, encadearem momentâneamente os olhos de quem para eles olhar directamente, contudo sem outro dano perene lhes infligir, são utilizados pelos astrónomos amadores na observação do céu, servindo de faróis apontadores na busca de objectos, na delimitação das fronteiras das constelações, como “ponteiros” de objectos em sessões públicas, etc.

Ora, estava o nosso amigo americano muito entretido com o seu laser, em companhia de um filho a quem explicava os encantos do céu, quando é detido por uma patrulha policial no seguimento de uma denúncia de piloto privado, queixoso de ter sido encadeado quando, no interior da sua aeronave, fazia o seu trajecto de aproximação ao aeroporto da cidade.

Independentemente de muitas outras considerações e especulações que se possam fazer agora, a verdade é que esta situação iniciou uma campanha nos media sobre o assunto.
Com a opinião pública a tornar-se voz uníssona na sua condenação, ao “colar” a questão à possibilidade do uso destes dispositivos no abate terrorista de aviões, possibilidade de resto astronomicamente improvável com dispositivos deste calibre, as restrições legais em estudo serão, digo eu, de menor efeito do que aquelas que a indução do medo e a amplificação da paranóia propiciam.

O Tempo não nos deixa isolados das realidades que construímos distraídos no nosso quotidiano.

A Astronomia, mesmo que seja o refúgio romântico do stress diário, concerteza que não passará incólume aos tempos de perturbação e desnorte que vivemos.

Deveríamos antes atender ao testemunho de Giordano Bruno e manter os pressupostos das convicções? Ou, então, manter os “tubos ópticos” enterrados na “abóboda celeste”?
Não tenho a certeza que possamos escapar como o fez Galileu.

segunda-feira, 9 de maio de 2005

Primeira Observação no Pação

O meu actual Local de Observação fica situado a uma Latitude de 41,85º Norte e 8,41º Oeste de Longitude.
Para chegarem lá melhor direi que fica situado no Alto Minho.
As suas condições não são excelentes, pois tem alguma poluição luminosa proporcionada por uma cidade pequena localizada a 10km e dois postes de iluminação pública, que evito escondendo-me atrás das oliveiras.
As oliveiras também me tiram alguns graus de céu a Este e a Oeste e para Norte tenho a encosta de um monte elevado.
Contudo, é possível obter uma janela de céu em cerca de 145º em altura e uns generosos 210º em azimute. O meu horizonte deverá iniciar-se depois dos 10º.
Durante o dia é muito bonito, pois fica a meio de uma encosta escarpada e pela frente tenho o panorama de um vale muito cavado e mais montes … tudo muito verde.

Na noite de 7 de Maio realizei a primeira observação no Pação.
O céu estava com enevoado mas com algumas abertas que permitiram as tão ansiadas espreitadelas. Esta foi só a minha 3ª observação telescópica deste ano.
Rapidamente o LX90 ficou alinhado e a seguir a estrela Arcturus no Boieiro.
Comecei por Júpiter no regaço da Virgem. Os quatro satélites estavam em linha: Ganimedes e Europa à esquerda, Júpiter ao centro, depois Io e mais distante Calisto, ambos à direita.

Voltei a Arcturus e depois vaguei pelas estrelas de Boieiro. Voltei a Virgo e encontrei Porrima um pouco acima de Júpiter.
A seguir decidi-me por M51, mas surgiu muito ténue. A transparência do céu não era grande devido à forte humidade transmitida pelas núvens. Contudo, era ainda possível vislumbrar o centro de ambos as Galáxias em colisão. Ficaria para mais tarde.
Um dos objectos do céu profundo que mais gosto é de M13. O seu esplendor surgiu na ocular de 26mm que dava uma amplificação de 77x. Como sempre uma visão extraordinária, mas desta vez foi possível destacar as estrelas mais brilhantes e constatar a sua dispersão e sobreposição no enxame. Com a ajuda da ocular de 15mm (133x) consegui melhorar os detalhes e o feérico espectáculo tornou-se excepcional.

Depois passei a M92 também em Hércules. Não sendo tão extenso e brilhante como o seu vizinho anterior, não deixa de ser um objecto igualmente interessante.
Com uma magnitude 6.4 e uma extensão de 12.2’, M13 tem 5,8m e 23,2’, mostrou-se compacto, luminoso e circundado por um halo de luz maravilhoso.

Voltei a Júpiter. Os satélites mantinham-se sensivelmente na mesma posição. A grande mancha vermelha iria fazer a sua aparição nesta madrugada, mas não iria esperar por ela.

Virei-me para a Constelação de Libra e detive-me em Vega. Naturalmente a Nebulosa Planetária do Anel, M57, com uma dimensão de 1,2’ e 9,7 de magnitude, demorou-me o olhar. Não, não foi possível ver a estrela central. Somente com um telescópio de maior abertura e melhores condições atmosféricas.

Voltei a M51, a Galáxia do Redemoinho, nos Cães de Caça. Agora as condições atmosféricas pareciam estar um pouco melhores e foi possível vislumbrar os braços do sistema. Terá sido mesmo assim ou foi sugestão? Talvez, a verdade é que as núvens voltaram para antecipar o fim da observação.

Enfim, encerrei a observação pelas 00H30.
Fiquei de avaliar a magnitude limite do local noutra noite.

terça-feira, 5 de abril de 2005

Palestra de Astronomia no Porto

Tal como já referido inicia-se hoje o ciclo de Palestras organizado por um Grupo de Alunos da FLUP.

Assim, o 1º Encontro Interdisciplinar abre hoje com uma palestra de José Raeiro subordinada ao tema Universo-Teorias de Formação e Fim.

É às 21H00 na FLUP ....

sábado, 2 de abril de 2005

De Volta a ... Encelado


Créditos: NASA

E estamos de volta a Encelado para mais algumas informações.

A imagem acima foi obtida à distância de 119000km durante a Missão Voyager, em 25 de Agosto de 1981, quase dois séculos depois de, em 1789, o Astrónomo Inglês William Herschel ter descoberto o 11º satélite de Saturno.


A fotografia abaixo, tirada num ângulo mais fechado e a uma altitude bem mais próxima que a anterior (29000km), é mais recente e foi obtida no âmbito de um sobrevoo efectuado pela Sonda Cassini no passado mês de Março. Depois de a olhar, é impossível deixar de pensar que aquele “enrugado” na superfície é quase similar às terrenas cadeias de montanhas.



Por toda a superfície são visíveis efeitos de um possível movimento da superfície gelada eventualmente similar ao movimento das placas tectónicas. A superfície repleta de crateras impactantes com diâmetros que vão desde algumas centenas de metros até à dezena de quilómetros, tal como aquela que surge no canto inferior da foto (20km), evidencia uma menor actividade geológica nesta zona do satélite. Algumas das crateras surgem impostas sobre as fendas e a cratera posicionada sobre o canto inferior parece surgir com o seu pico central um pouco erudido.

Apesar de tudo a superfície tem uma grande actividade geológica e será relativamente “renovada”, conforme demonstra o canto superior direito da superfície com o acentuado enrugamento da superfície, contraposto com as zonas mais “limpas” que surgem na fotografia que incluí na entrada anterior sobre Encelado.

Na Mitologia, Encelado fez parte do grupo de Gigantes que atacou Zeus e os seus pares no Olimpo. Em dificuldades, os Deuses foram obrigados a clamar pela ajuda de Hércules. Encelado foi atingido por raio lançado por Zeus e jaz sepultado na base do Monte Etna, na Sicília.



Sites para consulta:

Missão Cassini
Centro Ciência Viva _ Algarve



quarta-feira, 30 de março de 2005

2005 Ano Mundial da Física


Especial menção se faz agora ao esforço que os Físicos andam fazendo para que nos lembremos deles e dos seus trabalhos...

Aproveitando o Centenário da Divulgação da Teoria da Relatividade estará em curso, durante 365 dias neste ano, o Ano Mundial da Física.

Para além da consulta, pelos interessados dos sites que indico abaixo, vale a pena recordar que o Dept. de Física da Univ. do Porto tem estado a organizar palestras públicas no Auditório da Reitoria da UP, aos sábados pelas 15H00.

No dia 9 de Abril, Filipe Duarte Santos, falará sobre Ambiente - "A Física e as Alterações Globais".

Depois, no dia 7 de Maio, Olga Pombo, abordará com "Filosofia, Física e Unidade da Ciência".

Por fim, a 25 de Junho, a ressacar da noitada de S.João, a Medicina surge por Manuel Paiva, para sabermos mais sobre " O Futuro da Física Biomédica"

Sites a consultar:

Sociedade Portuguesa de Física
Dep. Física da Fac. Ciencias da Universidade do Porto
Centro de Ciência Viva do Algarve
Centro de Ciência Viva de Vila do Conde



Palestras, Debates ... com Astronomia no Porto



Apesar de o Centro de Astrofísica da Universidade do Porto já nos ter habituado às suas palestras, registar-se-ão nos próximos tempos um outro conjunto de iniciativas que merecem realce e de que aqui se dá conta.

Assim, organizadas por um conjunto de alunos dos Dept. de Filosofia e História, os
1ºs Encontros Interdisciplinares da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, subordinados ao Tema "Ciências e Saberes do Cosmos", terão um significativo número de dissertações as quais se irão iniciar já no próximo dia 5 de Abril, às 21H00, na FLUP, com "Universo - Teorias de Formação e Fim" , por José Raeiro.

Depois a 7 de Abril, "Buracos Negros e Buracos Verme", por Rosa Doran - definitivamente a não perder.

Mais tarde a 12 de Abril, "Formação e Comportamento de Corpos Celestes", por José Raeiro e Catarina Lobo, a génese dos Planetas e das Galáxias que os albergam.

Tudo às 21H00, na FLUP. Outros eventos, posteriores a estas datas, serão aqui divulgados a seu tempo.

E, pronto, por hoje é tudo.

segunda-feira, 28 de março de 2005


Saturno 21 de Janeiro, 23H45

Esta imagem já está um pouco atrasada ... se olharmos para o calendário, claro. Contudo Saturno é sempre um espectáculo em qualquer dia ... desde que se consiga observar, claro. A imagem foi obtida com recurso a uma webcam e ao LX90. Desculpem não haver mais pormenores, mas ainda não me disciplinei o suficiente para registar os detalhes destes trabalhos. Entretanto, se quiserem ver Saturno ao vivo e a cores, e a meteorologia deixar, procurem-no na Constelação de Gémeos.

segunda-feira, 21 de março de 2005

A Atmosfera de Encelado



Na pequena e gelada lua de Saturno, a Sonda Cassini acabou por confirmar as suspeitas dos investigadores: Encelado tem atmosfera.

O 11º satélite do sistema saturniano a ser descoberto em 1789 por W. Herschel, não revelou todos seus segredos aquando da passagem da sonda Voyager em 1981, tendo deixado um conjunto de suspeitas nos cientistas que se interrogavam sobre razão para a composição por finas partículas de gelo do Anel E.

Agora entre um conjunto de imagens obtidas em Fevereiro e Março, a sonda Cassini pode satisfazer a nossa curiosidade.
A fina camada atmosférica é composta por moléculas de água na forma de vapor. Porém, atendendo à dimensão equatorial do seu diâmetro, cerca de 500km, a atmosfera encontra-se em constante renovação porque a
força gravitacional do corpo é baixa e deixa escapar o vapor de água, suspeitado de ser produzido por actividade vulcânica ainda não descoberta.



Créditos: NASA/ESA 20050309

Esta “fuga” do vapor de água é provocada pela maior força gravítica desencadeada por Saturno. Este modelo explicaria não só o facto do Anel E ser composto por partículas de gelo, mas também a razão pela qual o campo magnético do senhor dos anéis ser perturbado pela órbita de Encelado. O Magnetómetro da Cassini pode comprovar que a agitação do campo magnético de Saturno resulta da perturbação que as moléculas de água ionizadas de Encelado libertam na sua órbita.

Por outro lado, com base nas imagens obtidas explicou-se também a razão pela qual este satélite é o mais reflector das luas do Sistema Solar. Com a sua atmosfera de vapor de água em constante renovação, supõe-se que a precipitar-se sobre a forma de chuva na superfície, cria uma camada de gelo “fresca e limpa” como nenhuma outra.


Fontes:

Revista Nature online
Cassini Huygens ESA Webpage

Cassini-Huygens NASA Webpage
Cassini Imaging Team

domingo, 20 de março de 2005

Uma Breve História ...

Num gesto amizade há uma semanas ofereceram-me um livro de Bill Bryson.

O título, Uma Breve História de Quase Tudo, ambicioso, leva-nos numa “viagem pela ciência” de uma forma pratica e “muito bem documentada”, editada pela Quetzal
Sobretudo divulga a Ciência, e nesta aquela que o autor achou mais significativa na História da Humanidade, mas também aqueloutra dos erros e dos insucessos, das intrigas e das vaidades pessoais.

Não se trata somente de Astronomia, de Física, de Astrofísica, mas de Biologia, Antropologia, Geologia, Arqueologia, Ecologia … enfim um conjunto de áreas de investigação e conhecimento, que na horizontal são apresentadas pela voz de alguns dos seus intérpretes ou comentadas pelo autor, perspectivando na vertical a evolução da Humanidade e do Mundo que nos rodeia.

O que este livro talvez rejeite é um entendimento do Conhecimento enquanto evolução linear, isolada ou paralela das coisas vivas e inanimadas, e no qual o papel da espécie dominante é o de tentar fazer com que tudo gire em torno do seu pequeno cosmos.
Talvez por isso o seu último capítulo tem como título Adeus.

Atractivo e leve, bem traduzido e vertido para a Língua e Cultura Portuguesas, é uma leitura que recomendo.

quarta-feira, 16 de março de 2005

Reabertura do Luzeiro !!

O LUZEIRO está reaberto.

Durante as últimas semanas, impossibilidades várias obrigaram-me a suspender o bloco-notas.
Bem vistas as coisas, tal e qual como o Tempo, também este tempo de suspensão me pareceu desmedido.

Entretanto, estamos aqui e isso é que importa. Também o resto todo que nos rodeia e de que fazemos parte mesmo que não o queiramos.

No sábado de aqui há 15 dias fiz uma pequena observação do céu. Uma coisa de 30 minutos, com binóculos e sob um céu magnitude 4.

Entretive-me a vaguear por Orion (sempre!) e Gémeos. Dos objectos do céu profundo, encontrei M35, M42, M43, M45 também.

Fiquei satisfeito e hei-de voltar a este local mais vezes.

Aliás, aparecerá aqui mais vezes, pois será o local do meu futuro Observatório.



domingo, 16 de janeiro de 2005

SUSPENSO

Para todos os efeitos fica dito que o Luzeiro se encontra suspenso ... sem data de retorno.

Tão breve quanto possível voltaremos ao "éter".

Fica prometido.

Até breve

quarta-feira, 10 de novembro de 2004

Um Sítio que faltava mencionar

Por vezes, diria até muitas vezes, passamos ao lado das" coisas" sem lhes dar o devido relevo, a atenção sublinhada que merecem na nossa memória.
Na memória individual estas coisas resolvem-se mais ou menos bem, com maior ou menor número de actos de contricção . Como este.

Assim pela importância que dou à memória colectiva, fica aqui registado o Sítio do José Matos, Estrela Cansada, e a recomendação particular para ser lida a entrada do dia 7 de Novembro.

Ao José Matos aquilo que eu espero dele é que continue tolo!

Ao fim e ao cabo ninguém gosta de se sentir sózinho ...

 
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