domingo, 14 de maio de 2006

Lua 20060506


Obtida com o meu sempre fiel LX90 e com uma WebCam Philips Toucam 740K, a foto incluída nesta entrada ilustra uma zona da Lua onde se encontram presentes vários dos processos que nos permitem interpretar a evolução geológica do nosso satélite.

Com o Norte ao cimo da figura, esta zona é central e situa-se à esquerda muito próxima do meridiano.

A sudeste da grande bacia de impacto do Mare Imbrium, a maior superfície facilmente identificável com observação
visual simples desde a Terra, podemos distinguir o início da grande barreira dos Montes Apenninus. Apesar da altura das suas montanhas os Montes Apenninus não serviram de obstáculo ao avanço das lavas imbrías que, entre outros afogamentos, submergiram também a cratera Stadius.
Somente entrevista pelos seus picos mais elevados, ainda assim a 650m da superfície, esta cratera, mais antiga que as que a rodeiam, sejam Copernicus ou Erastostenes, demonstra bem o inferno da evolução geológica lunar. Um inferno de lavas expelidas para a superfície em resultado de inconcebiveis impactos e a percorrerem centenas de quilómetros, arrasando formações rochosas de equivalente dimensão. Reduzidas a meros precalços de circunstância, crateras como Stadius (Jan Stade - Astrónomo e Matemático Belga do séc XVI) revelam a grandiosidade do processo.
No interior dos seus 69km de diâmetro são ainda visíveis outros impactos, menores, uns de caractér meteórico e outros talvez provenientes do material ejectado aquando do impacto que formou Copernicus.

Também visíveis são os brilhantes raios com fonte no centro de Copernicus. Abrindo uma cratera de 95km de diâmetro e cerca de 4km quilómetros de altura, o material projectado no impacto percorreu distâncias de 750km. Concerteza que a grandeza das dimensões experimentadas mentalmente, nos deixam estarrecidos, mas lembremo-nos da inexistência de atmosfera e de uma gravidade muito baixa à superfície da Lua, para compreendermos melhor o dramatismo daqueles 750km.
Esses raios que surgem um pouco por toda a superfície lunar, resultam, ou pensa-se que resultam, da projecção de material que à superfície foi fundido e depois projectado nomomento dos impactos.

Voltando de novo ao sopé dos Apenninus e à "recente" cratera Erastotenes - Astrónomo e Matemático Grego do séc III A.C., de quem se diz ter sido o primeiro a preocupar-se com e a tentar medir o diâmetro da Terra - voltámos a encontrar um motivo para descobrir quanto a existência de sinais se torna importante na nossa intenção de nomear para conhecer o que nos rodeia.
A cratera a que emprestaram o nome do Astrónomo Grego, foi usada por Shoemaker e Hartman, no início dos anos 60 do século passado, para nos fazer compreender que, embora parecendo "recente", de 3 mil milhões de anos, por não serem visíveis raios de material ejectado e possuir impactos secundários de menor dimensão, apesar de uma configuração geral com pouca degradação geológica, seria ainda assim Erastotenes mais antiga que Copernicus pela diferença da visibilidade nos raios que desta se dispersão por tão grande área.
E de conceito em conceito definiram aqueles Astrónomos o conceito de Estratificação, o qual permitiu elaborar uma tabela cronológica, da qual Copernicus é a mais "nova" das idades lunares e o Imbrium e o Pre-imbrium os mais antigos marcos na evolução selenita.

Vale também a pena olhar com um pouco mais de atenção para as manchas negras que se posicionam nas margens do Mare Insularum. Estas zonas escurecidas da superfície estão hoje maioritariamente aceites como sendo depósitos de cinzas vulcânicas decorrentes de erupções ocorridas, não por força de um efeitoda tectónica de placas como na Terra, mas antes pelo resultadodas pressões internas criadas pelos vários impactos ocorridos à milhões de anos.

Finalmente, em baixo, apercebemos a formação Gambart - Jean Gambart, Astrónomo Francês do séc XIX - uma cratera "antiga" de cerca de 4 mil milhões de anos, mais ou menos, caracterizada como do período pré-imbrío, com um diâmetro de 26km, de paredes já pouco íngremes e de alturas em torno dos 1000m e com um solo relativamente plano e coberto de lava, facilmente visivel comuma luneta de 50mm ou uns binóculos da mesma grandeza.
Próximas encontraremos Gambart C e Gambart B e logo acima um sinal indicativo da presença dos destroços da Sonda de Exploração Lunar Surveyor 2.
A Surveyor 2 despenhou-se no solo aquando das manobras de aproximação à Lua, na qual se pretendia que este batedor avançado procede-se a um conjunto de verificações (temperatura, imagens do terreno, etc) que permitissem a recolha de mais dados para a alunagem de um dos módulos do Programa Apolo. É agora um dos milhares de dejectos humanos que povoam o espaço celeste.
Bem sei que o espaço poderá ser infinito, mas ainda assim estes lixos são parte do custo do evolução. Serão?

quinta-feira, 17 de novembro de 2005

Festival do Documentário Científico


Organizado pelo Departamento de Física da Universidade do Minho e pela Câmara Municipal de Arcos de Valdevez , um Festival do Documentário Científico decorrerá nesta Vila do Alto Minho entre os dias 24 e 27 do presente mês.

Como filho adoptado pelas Gentes e Terras do Lima, mas sobretudo como consumidor de Ciência, merece-me esta iniciativa o relevo que o Luzeiro pode oferecer.

Abaixo segue o Programa do Festival, pela diversidade da temática e dos suportes de divulgação, e também pela beleza da Vila dos Arcos de Valdevez e saborosa Gastronomia Minhota, aconselho, viva e sinceramente, a visita.

PROGRAMA do FESTIVAL DE DOCUMENTÁRIO CIENTIFICO

Dia 24
- 15h00 Documentários
- 18h00 Sessão solene de Abertura
- 21h30 Documentário: Astronauta
- 22h00 Cinema: Epidemic, de Lars Von Trier (1987)

Dia 25
-15h00 Documentários
- 21h30 Documentário: Noites em Branco
- 22h00 Cinema: eXistenZ, de David Cronemberg (1999)

Dia 26
- 10h00 Filmes a concurso
- 11h00 Documentário: A Utopia do Padre Himalaya
- 12h00 Filmes a concurso
- 15h00 Documentário: A seta do tempo, de Yuri Bespalov (URSS, 1986)
- 16h00 Palestra: O paradoxo dos gémeos revisitado, de António Manuel Baptista
- 16h30 Debate: Noções de tempo
- 21h30 Documentário: Memória dos Capelinhos
- 22h00 Cinema: Fausto 5.0, de Álex Olle (2001)

Dia 27
- 10h00 Filmes a concurso
- 11h00 Documentário: Imagens de Ciência
- 12h00 Filmes a concurso
- 15h00 Debate: Dizer Ciência
- 16h15 Atribuição do Grande Prémio
- 16h30 Encerramento

Aproveitando também esta entrada, realce também para a
Semana da Ciência e Tecnologia que arranca na próxima 2ªfeira, dia 21..

quarta-feira, 16 de novembro de 2005

Venus Express



Andei uns dias ocupado e daí que não tivesse dado notícias.

Mas agora elas são boas!

A Venus Express foi lançada do Cosmódromo de Baikonur às 03h33, Tempo Universal, no passado dia 9.

Todo o programa de voo foi cumprido sem problemas e o expresso para Vénus está em velocidade de cruzeiro.

Daqui por cerca de 145 dias, a Missão Venus Express iniciará as manobras de inserção para orbitar o planeta das núvens, com uma órbita bastante excêntrica: 250km no afélio e 66000km no periélio.

"Estimados Clientes, dentro de breves instantes vai chegar ao cais ..."

domingo, 6 de novembro de 2005

Venus Express


As primeiras imagens da superfície de Vénus, aconteceram à 30 anos, concretamente a 22 de Outubro de 1975, poucos minutos antes da sonda Venera 3 perder o contacto com o centro de comando soviético.

A Agência Espacial Europeia – ESA, tem agora marcado para o dia 9 de Novembro o lançamento da Venus Express desde o cosmódromo de Baikonur, Casaquistão.
Após 162 dias de viagem será capturada pela força gravitacional do planeta e
começará o seu trabalho de investigação da atmosfera e das núvens que cobrem a superfície venusiana.

sábado, 5 de novembro de 2005

Hayabusa próxima de Itokawa


Com as parangonas do costume, a que não terá faltado a oportunidade da data do apogeu do projecto, 14 de Julho, a Missão Deep Impact da NASA disparou sobre a superfície do Cometa Temple-1, um bólide de cobre que projectou uma núvem de material capaz de, após análise à composição do espectro luminoso, permitir um conhecimento maior da génese do nosso Sistema
Solar.


Entretanto, têm os média dado pouca e nada desenvolvida informação sobre a Missão Hayabusa, lançada pela Agência Espacial do Japão – JAXA, em Maio de 2003, para exploração do Asteróide Itokawa, tão distante da Terra como 291 milhões de quilómetros.

Esta missão alia a experimentação tecnológica de propulsão por motor eléctrico à navegação autónoma, com a robotização de explorador e imagem, num conceito de baixo custo e inovação para mapeamento, recolha de amostras e retorno das mesmas à Terra, a acontecer no Verão de 2007 no deserto australiano .


Desde Setembro a orbitar o Itokawa a uma distância inferior a 20km, a Hayabusa tem enviado um conjunto de imagens realmente deslumbrantes de detalhe.
Entretanto, hoje seria o dia espacial em que a missão iria ensaiar o sobrevoo do asteróide para posterior lançamento do explorador e disparo do projéctil que fará com que o material “caia”, ou “entre”, na chaminé de recolha.

Foi, contudo, adiada devido a um alerta surgido imediatamente antes da manobra se iniciar.
A habitual impenetrabilidade japonesa disse isto e que o ensaio ficou adiado.
Sem mais.

quarta-feira, 2 de novembro de 2005

Açores no mapa da Agência Espacial Europeia


No passado mês de Outubro, foram visitadas pelo Governo Regional dos Açores e por membros da ESA, as infraestruturas básicas no local onde ficará instalada a Estação de Seguimento dos próximos voos de reabastecimento da Estação Espacial Internacional - ISS.

No Monte das Flores, próximo da Vila do Porto na Ilha de Santa Maria, a estação móvel de seguimento será parte de uma rede de estações global, que utilizada no controlo dos voos das naves europeias de reabastecimento Júlio Verne, ou ATV-Automated Transfer Vehicle, os quais serão lançados desde o Centro Espacial Europeu localizado na Guiana.

Escolhida pela sua localização geográfica e pela quase inexistência de interferências rádio, a Estação do Monte das Flores permitirá ainda o appoio ao lançamento da rede global do Projecto Galileo e o suporte às naves Soyuz que se dirijam à ISS.

terça-feira, 1 de novembro de 2005

Picos da Luz Eterna


Inscrita num conjunto de projectos de baixos custos, a SMART-1 foi lançada em 27 de Setembro de 2003 e encontra-se em órbita lunar desde 15 de Novembro de 2004.
Experimentando diferentes tecnologias de propulsão, rota e comando, neste momento tem a sua missão extendida até ao Verão do próximo ano, depois do Controlo da Missão ter aproveitado todo o combustível disponível para colocar a nave numa órbita mais estável.

Estas manobras permitirão dar uma maior atenção à pesquisa no nosso satélite natural de água e dióxido de carbono sob a forma de gelo, aspectos fulcrais para perspectivar explorações humanas prolongadas da Lua com a instalação de uma base lunar.
Enfim, o grande sonho a ser construído com pequenos passos
.

Entende-se que a existir água na Lua, ela estará sob a forma de gelo nas zonas polares e mais concretamente naquelas zonas onde a luz solar nunca desfaz algumas zonas sombrias da superfície selenita onde faz um intenso frio em torno de -170ºC.

A SMART-1 tem enviado fotos dessas zonas polares das quais destaco a presente, com data de Dezembro de 2004. De notar o dramático efeito das sombras provocadas pelos rebordos das paredes das crateras.
Esta e outras imagens merecerão da equipa da ESA a maior atenção, já que zonas de sombra eterna, potenciando depósitos de gelo, são originadas pelos picos de crateras que recebem a luz do Sol na maior parte do dia lunar.

quinta-feira, 20 de outubro de 2005

Vénus e a Cidade



Esta foto foi tirada ao princípio da noite de hoje.
A transparência do céu seria muito boa e estável. A magnitude seria seria 2 a 2.5 a Norte, a Sul ... estão os lampiões ( ... heheheheh ...)

Vénus reinava no fim da tarde e na foto são visíveis, ou quase, Antares de Escorpião, e talvez delta Sco, colocada imediatamente abaixo e à direita, respectivamente do planeta.

Sobre a esquerda da foto, um arco de 3 estrelas da Constelação de Sagitário: de "cima para baixo", Kaus Borealis a cerca de 78 anos-luz, a delta de Sagitário com uma luminosidade de cerca de 35x o Sol: Kaus Media, com uma luminosidade superior a seiscentas vezes o nosso Sol está distante de nós cerca de 330anos-luz, e por fim, sobre o edíficio, Kaus Australis, a 150anos-luz de distância e com uma luminosidade de cerca de 340x o Sol.
Embora a foto não dê para mais, reparem nestas estrelas e nos dados de posicionamento e luminosidade que indiquei.
Diria, de forma grosseira, que parecem surgir com o mesmo brilho, para o que concorre a relação das distâncias calculadas com a sua luminosidade aparente.

Acima e à esquerda do Planeta, as estrelas da Constelação de Ofíuco.

Se não conseguirem ver, olhem, não se preocupem, eu também nunca consegui sequer entrever uma única imagem a 3D e os quebra-cabeças Su Doku vão pelo mesmo caminho ...

Mas que lá estão, estão!

segunda-feira, 17 de outubro de 2005

Lançamento do CinelSAT3 adiado


Por razões de segurança, impostas pela entidade regular do tráfego aéreo, foi suspenso o lançamento do CinelSAT3.

Não parece, contudo, ter sido frustrado o trabalho dos seus criadores.
Assim, uma nova janela de lançamento será encontrada e CinelSAT subirá na atmosfera.

Estejam atentos.

AMRAD
CINEL

sexta-feira, 14 de outubro de 2005

Satélite Português é lançado hoje !!

É com grande satisfação que damos conta do lançamento de um satélite português enquadrado no Projecto de Estudos dos Formandos do CINEL – Centro de Formação Profissional da Indústria Eléctrica, o qual vai ser lançado hoje das instalações da EXPONOR em Matosinhos.

O CinelSAT3 é um aparelho propulsionado por balões e o conjunto de dispositivos que carrega, vai possibilitar o visonamento de imagens do voo e o seu seguimento na alta atmosfera, bem como a utilização enquanto repetidor de sinal de voz.
O seu tempo de actividade será definido pela sua evolução e pelos resultados recebidos em tempo real.

O seguimento do sinal emitido pelo CinelSat3 vai ser possível com a colaboração da AMRAD-Associação Portuguesa de Amadores de Rádio para a Investigação, Educação e Desenvolvimento.

Mais informações

http://www.amrad.pt/cinelsat3.php
http://www.cinel.pt

quinta-feira, 13 de outubro de 2005

Um Sítio Excelente !!

Para saber tudo o que há a saber sobre o Eclipse Anular do Sol, e mais alguma coisa lá para a frente ... nada como (ter) O Céu na Ponta dos Dedos.

Realmente!

Parabéns Jorge !!

quinta-feira, 6 de outubro de 2005

Vénus e a Lua


Acima o enquadramento de Vénus com a Lua, hoje, cerca das 20H00 locais.

Eclipse Anular do Sol - Fotos 2


09h54m


10h02


10h20


Acima algumas fotos tiradas durante a Observação.
Espero ainda dar a conhecer as restantes. Talvez para a semana ...

Eclipse Anular do Sol - Parte 2


Este é o relato pessoal da Observação do Eclipse Anular do Sol, realizada no dia 3 de Outubro de 2005, na Quinta do Pação, Freguesia de Rio Frio, Concelho de Arcos de Valdevez.
À parte uma ligeira neblina matinal, o céu esteve limpo, sem núvens.
A observação foi realizada com um telescópio LX90 a 76x numa ocular 26mm Plossl e uns binóculos 10x50mm.
O registo de imagens foi conseguido através uma câmara analógica NikonN70 com uma objectiva zoom de 100/400mm e filme 35mm para slides Fuji Sensia100ASA, e uma câmara digital CanonPowershot.

07h02 – Acordar. A manhã apresenta-se com neblina, mas o céu está limpo.
07h27 – Depois de um pequeno almoço farto, saí para o Local de Observação
07h40 – Acabei de instalar todo o equipamento e tirei as primeiras fotos.
07h45 - O Sol apareceu entre as árvores, na propriedade ao lado.
08h10 – O Sol destacou-se das árvores.
08h13 – A minha vizinha, a Dª Carolina, acena por entre as couves e pergunta o que faço ali
a estas horas do dia. Explico-lhe e convido-a. Diz-me que tem de ir à vila.

08h22 – É preciso aguentar ... Se não fosse o facto de saber o que se vai passar, o
início do dia seria igual a todos os outros dias.

08h27 – Não se nota nenhuma alteração sobre os limites do disco solar. Volto a estar

ansioso.
08h38 – Eu vejo! Dá-se o primeiro contacto. É um ligeiríssimo achatamento sobre o eixo
do bordo superior do Sol...Com o filtro Baader não deu para ver qualquer
proeminência solar ou lunar.
08h41 – Torna-se mais vísivel a sobreposição da Lua no plano Terra-Sol.
Pela forma como decorre a progressão da sombra, acho que posso concluir que

deste sítio terei visão total do Eclipse Anular. Talvez um pouco descentrado ...
08h58 – A Lua ocupa agora quase metade do diâmetro aparente do Sol.
A imagem surge como os crescentes islâmicos ou um smile amarelo
09h00 – Os vértices causados pela inserção da Lua no disco solar são perfeitos.
Ainda se nota bastante turbulência térmica. Os pássaros e os cães continuam a emitir os sons habituais e são distintos os que resultam dos trabalhos rurais nas proximidades.
O vale está coberto por uma ligeira neblina que torna a paisagem acinzentada.

09h25 – Tenho tirado várias fotos com a NikonN70 na qual tenho montada uma lente
de zoom 400mm que o Zé Manel me emprestou, mas a trabalhar com 200mm.
Por qualquer motivo que ainda desconheço, não consigo fazer fotografias com
Canon PowerShot. Só espero que os slides da Nikon saiam correctos...

09h35 – Mais de metade do diâmetro aparente do Sol está agora oculto pela Lua.
Aproxima-se o momento do segundo contacto, aquele em que todo o diâmetro da Lua ficará contido no plano da imagem do Sol.
Até ao começo do Eclipse era evidente que a temperatura estava a subir gradualmente (tenho pena de não me ter lembrado em trazer um termómetro para medir a eventual variação durante o eclipse ... ), mas agora noto que está mais frio, pois a minha careca sabe do que estou a falar, quando falo de diminuição de temperatura ....
09h55 – A diminuição de luminosidade é agora evidente e da temperatura também. Já não é só a falta de cabelo, todo o corpo sente a falta do calor que se apercebia ainda há poucos
minutos. O céu está limpo, mas, no vale mantêm-se uma ligeira neblina.
Estes efeitos não parecem ter afectado o comportamento dos animais. Continuo a ouvir os pássaros e as galinhas a cacarejarem. Os cães ladram, mas acho que ladram como sempre ladram os cães. Próximo, embora sem a ver, ouço uma mulher comentar que parece estar mais escuro e que isso a leva a interrogar-se se não “será daquela coisa do eclipse”.
09h58 – Já tinha lido que nas observações de eclipses o tempo é terrivelmente curto, que não há tempo a perder ... e que entre o registo fotográfico e a observação tudo se passa
sem que consigamos acompanhar o ritmo a que os acontecimentos evoluem.

09h59 – A totalidade da imersão da Lua no diâmetro do disco solar, o Eclipse Anular do Sol no seu máximo, já terminou. É evidente a descentragem dos 3 astros.
10h00 – Recebi muitas SMS’s dos meus amigos, astrónomos ou não. O Rui Santos, que está
em Bragança, diz que foi maravilhoso. O Pedro Afonso ligou-me a dizer que estava nos
degraus da Igreja do Carmo, de óculos de protecção colocados, e que por isso temia que as pessoas lhe começassem a dar esmolas. Acho que ele é homem para agradecer ..
Envio também uma SMS ao Nuno Coimbra, que não pode estar a observar o Eclipse como ele bem gostaria .

10h05 – Apercebe-se o aumento da temperatura ambiente e o crescendo de luminosidade.
Nestes últimos minutos percebi o que se passava com a Canon Powershot. Quando
colocava o filtro à frente da lente surgia uma dispersão luminosa que afectava a foto.
Consegui corrigir isso ainda a tempo de conseguir um boneco do Eclipse Anular.
As abelhas e as moscas zumbem à minha volta e a mergulho na contemplação da
Natureza em volta.

10h25 – Os 3 astros continuam as suas rotas e afastam-se cada vez mais do alinhamento. Não posso deixar de imaginar o som mecânico do relógio celeste, em estéreo e ao melhor estilo da “Guerra das Estrelas” do Spielberg.
10h30 – Continuo a tirar fotos com ambas as máquinas. Lembro-me que talvez seja uma boa ideia construir aqui, nesta leira, o meu observatório permanente. A visão do céu é
enorme e a eclíptica é toda abrangida deste local. Aproveito 4 paus e delimito-me uma área de 2x3m. Parece suficiente ...

10h45 – Está agora uma temperatura normal, quente, que me obriga a tirar o casaco e a
camisola. Penso no que poderia não ser a nossa vida se não tivessemos o Sol para nos aquecer. Já se torna obrigatório o uso de chapéu.

10h55 – O rolo de slides começa a chegar ao fim. Reparo agora que não registei o momento
do 3ºcontacto.

11h05 – Só uma pequena calote de sombra se mantém sobre a zona inferior do disco solar.
11h14 – O Eclipse está a chegar ao fim. A percentagem de sombra é já pequena. Só é
discernível com a ajuda do telescópio, pois os binóculos 10x50 que estou a usar
praticamente não a registam. Preparo-me para as últimas fotos.

11h17 – Acabou.
11h25 – Sentei-me à mesa de trabalho e, enquanto ouço a Antena2, vou escrevendo as

últimas linhas deste registo.
A luminosidade é intensa e fere os olhos. A neblina mantêm-se estável no vale.
As galinhas já puseram os ovos e deixaram de cacarejar. Perto, uma moto-serra zurze
a madeira de uma árvore que tomba. Os cães recolheram-se à sombra das casotas.
As últimas horas ofereceram-me momentos mágicos na vida.
Penso, também no próximo Eclipse, mas mais na rapidez com que tudo se processou e fico incompreensivelmente absorto sobre a ideia de Tempo e dimensão. Não consigo ter mais ideia nenhuma sobre isto e dirijo a minha atenção de novo para o papel.
Os astros lá vão fazendo o seu caminho e nós o nosso, e eu fico para aqui ao meu geito, satisfeito e aparvalhado, rendido à transitoriedade da efémera importância de neste momento ter assistido ao Eclipse Anular do Sol. E sinto-me bem, pronto.
Uma abelha pousa, por instantes, sobre os meus binóculos e depois volta à sua faina.
Eu, agora, vou ter que carregar quase 40kg de material leira acima, limpar as ópticas e arrumá-los para a próxima observação.
Tenho ainda um entrecosto para grelhar e que vai ser acompanhado com uma litrada de vinho doce, tirado ontem á noitinha da pipa após a vindima no campo da minha vizinha Judite.

2028 ... ?!!

Eclipse Anular do Sol - Foto 1



Going back to spend my life
Beneath that Rising Sun.



Excerto de "House Of The Rising Sun"
Para quem não sabe, ou quer saber mais clique AQUI

quarta-feira, 5 de outubro de 2005

Observação do Eclipse Anular do Sol - Parte 1


Introdução

Realizei a Observação do Eclipse Anular do Sol , desde o Alto Minho.
Razões de ordem pessoal determinar esta localização depois de ter chegado à conclusão que a observação deste evento neste local não seria subsantancialmente diferente das condições de passagem, por exemplo, em Bragança.
Os relatos que aqui vos deixo estão divididos em duas partes e serão acompanhados por várias fotos.
Algumas das fotos foram tiradas em suporte digital, pelo que é imediato disponibilizá-las. Outras porque tiradas em slides terão que esperar o seu momento.
Boa leitura.


Na noite anterior ao Eclipse ...

A menos de 10 horas do eclipse sei que estou ansioso.
A possibilidade de me esquecer de alguma rotina no procedimento que tenho preparado para a ocasião já me fez repetir,mentalmente, todosospassos a dar.
De tarde estive a ensaiar a montagem do LX90 que irá servir de suporte à observação visual.
Experimentei também as câmaras fotográficas e descobri que ... trouxe as pilhas erradas para a câmara digital.
Fui obrigado a ir a correr à vila comprar pilhas novas antes que o comércio local fechasse.
Trouxe também a Nikon N70 e um "canhão" de 400mm emprestado pelo Zé Manel. Experimentei-o durante a tarde e dá uma amplificação razoável. Vou fazer uns slides com esta objectiva.

Entretanto, também durante a tarde escolhi definitivamente o sítio da observação. Irá ser na leira entremédia por ser a que me visão directa sobre o nascer do Sol, lá para os lados das montanhas do Soajo. Como o local é muito escarpado,
carreguei já para as proximidades a traquitana toda: mesas, tripé, cadeira de observação, guarda-sol e telescópio.
Bom, espero que de manhã não tenha levantado voo ...

Já acertei o relógio e fixei o despertador para as 07h00. Verifiquei 3 vezes que funciona ... e que tem bateria suficiente.
Coloquei-o no fundo do quarto para ser obrigado a levantar para o desligar e assim acordar.

Será que verifiquei todo o material? Os filtros? O bloco notas e os lápis? Será melhor verificar tudo de novo?
Estou a ficar paranóico, afinal em 2028 teremos outro eclipse ...

quinta-feira, 29 de setembro de 2005

Eclipse Anular do Sol


Com a quantidade de informação disponível e actividades associadas à ocorrência e Observação do Eclipse Anular do Sol, no próximo dia 3 de Outubro, vale a pena passar pelos sítios que abaixo indico.

Não se esqueça de não faltar e de se proteger!


O Céu na ponta dos dedos - Excelente !!
CA2000 - Outro sítio Excelente!
Núclio Interactivo de Astronomia - Vá com eles até Argozelo e Bragança!
Centro Multimeios de Espinho - Vá com eles até Miranda do Douro !
Portal do Astrónomo - Saiba sempre mais !!
A mais recente imagem do Sol

quinta-feira, 22 de setembro de 2005

A Lua desde a Varanda



Lua 20050913, 21H30
LX90 e Toucam Pro 740K
185 frames em 900
Polarizador Orion
Redutor Foccal 0.5 Brightsar

Nesta imagem do passado dia 13 de Setembro, as condições de visibilidade no local eram razoáveis. Contudo, como a observação foi realizada desde dentro de uma varanda a qualidade da imagem sofreu com a interferência das ondas de calor que se desprendia das paredes circundantes.
Esta acção serviu também para testar a guiagem do LX90 com a versão 34Ec da Meade para o Autostar. As anteriores dificuldades de acompanhamento do movimento lunar resultavam da versão do software antigo. Este funciona bem.

A Lua, sendo o astro mais próximo de nós proporciona a observação de zonas da usa superfície com detalhes fantásticos decorrentes da sua acessibilidade.
A zona que a foto reproduz, o Norte está para cima, e desde aí, permite aperceber o Mare Frigoris, Mar do Frio, e a Cratera Platão.
Ao lado direito da cratera vislumbram-se as formações rochosas dos Montes Alpes e no centro o Vallis Alpes, uma extensa falha geológica.
Ligeiramente a Sul da cratera e já em pleno Mare Imbrium, Mar das Chuvas, surgem isolado um conjunto de formações rochosas elevadas: da direita para a esquerda o Monte Pico, os Montes Tenerife e os Montes Recti, com alturas calculadas entre 1400 e 2400 metros.

Continuando o nosso passeio, sobre a esquerda de Platão, e pela costa do Mare Imbrium, alcançamos o Promontório Laplace, assim baptizado em honra de um Astrónomo Francês do séc. XVIII. Este Promontório abre-se depois para a bela Baía dos Arco-Íris, ou Sinus Iridum. A fechar esta Baía de 400x260km de área surge o Promontorium Heraclides, em honra do discípulo de Platão, Heraclito (390-310 AC).

À entrada da Baía dos Arco-Íris vários enrugamentos do solo evidenciam acumulações de lava resultantes do megalítico impacto que deu origem ao Mare Imbrium.

Esta foto faz parte de um conjunto que pretendo constituir em mosaico, mostrando as zonas incluídas do Terminador deste dia.
Para acontecer um destes dias e com mais tempo …

Fontes:

Virtual Moon Atlas

Atlas of the Moon - Antonín Rukl, S&T 2004




quarta-feira, 14 de setembro de 2005

quanta (o) Isaac Asimov !!


Sempre presente nos últimos meses e fazendo parte do monte à cabeceira, os livros da saga de Isaac Asimov, Fundação, têm-me trazido agradáveis momentos de esclarecimento. E de esquecimento também.
Contudo, noutros momentos também a leitura se arrasta, não porque me chegue o sono mais depressa do que as páginas que vão ficando para trás, mas porque muito da literatura de ficção científica (não sei se a este lhe deva atribuir esta designação ...) tem momentos de pouco desenvolvimento na acção e a descrição não é precisamente um dos atributos deste tipo de ficção.

No volume em mão, No Limiar da Fundação, saltou-me aos olhos um belo trecho sobre como uma das personagens, daquelas que esporadicamente surgem na narrativa, dá a conhecer o seu entendimento daquilo que denomina pela consciência colectiva de Gaia (um misterioso planeta ... )
E, concerteza, que nem para a estrutura da obra nem para o momento do Autor o que ficou dito surgiu/surge como ditirambo de escriva.

Ora leiam:

“... Cada acontecimento que ocorre, pode ocorrer ou não ocorrer, ou pode ocorrer desta ou daquela maneira, e de cada uma de um número enorme de alternativas, resultará um curso de acontecimentos futuros que são distintos, pelo menos até certo ponto.
“ ... Em cada uma destas alternativas, ou em cada um de um vasto número de outras alternativas relativas a este acontecimento, o Universo teria, a partir daí, seguido um caminho diferente, e o mesmo é verdade para todas as outras variações de todos os outros acontecimentos, por mais insignificantes que sejam.
“ ...Eventualmente (...
os Eternos
...) encontraram, ou assim se diz, um Universo em que a Terra era o único planeta de toda a Galáxia , no qual se podia encontrar um sistema ecológico complexo, assim como o desenvolvimento de uma espécie inteligente, capaz de construir uma tecnologia avançada.
“ ... Algures nas neblinas da probabilidade, existem outras realidades em que a Galáxia alberga muitas inteligências, mas são realidades inatingíveis. Na nossa Realidade estamos sós. De cada acção e de cada acontecimento na nossa Realidade, há novas ramificações, sendo que só uma em cada caso separado é a continuação da realidade, pelo que há um enorme número de Universos potenciais ... talvez um número infinito ... . Ou talvez eu deva dizer que todos, excepto uma pequena percentagem, são semelhantes nessa característica, pois é perigoso excluir qualquer coisa quando as probabilidades se aproximam do infinito”.


Hummm ...

págs. 339 e 340 No Limiar da Fundação de Isaac Asimov
Colecção Argonauta Gigante
Edição Livros do Brasil

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

A Messenger a Caminho de Mercúrio





Passados quase 30 anos sobre a primeira missão de exploração espacial a Mercúrio, foto ao lado recolhida pela sonda Mariner 10, o projecto de investigação Messenger pretende continuar a recolha de dados que possam aumentar a nossa compreensão sobre o Sistema Solar e, no caso particular, melhorar o nosso conhecimento sobre o planeta com órbita mais próxima do Sol.

Lançada há pouco mais de um ano, a 3 de Agosto de 2004, a Sonda Messenger – Mercury Surface, Space Environment, Geochemistry and Ranging, terá uma duração esperada de 8anos, durante os quais, e tal como o seu baptismo sugere, terá como objectivos o mapeamento da superfície e da atmosfera mercuriana e o estudo geoquímico da superfície e da crusta. Uma completa cartografia da superfície em 3D permitir-nos-à saber da orografia.
Na busca de respostas a questões como a razão para a elevada densidade (5.42 g/cm3, no Sistema Solar somente a Terra é mais densa com 5.52g/cm3 ), a revelação da composição e estrutura da crusta mercuriana, a averiguação de eventuais processos de vulcanismo e natureza da fina atmosfera ou o esclarecimento sobre a origem de depósitos polares (gelo?), permitirão uma melhor caracterização deste mundo "esturricado" (temperatura máxima à superfície, 427ºCelsius).

O menos conhecido dos planetas rochosos (Mercúrio, Vénus, Terra e Marte) ficará sob observação um ano inteiro em 2011, com a Sonda Messenger a executar órbitas acentuadamente excêntricas e sobrevoos que a levarão a uns escassos 200km da superfície.

A viagem de 5 mil milhões de quilómetros, foi assim definida para aproveitar o impulso gravitacional que a sonda receberá em vários sobrevoos em torno do Sol, da Terra e de Vénus.
Produto da geração de projectos de exploração espacial a custos limitados, a Messenger incluirá naqueles fantásticos 5 mil milhões de quilómetros em 8 anos de passeio celestial, quinze órbitas em torno do Sol, um sobrevoo da Terra e dois em torno de Vénus, em Outubro de 2006 e Junho de 2007. Estas "rampas de lançamento” atirá-la-ão para a força de atracção gravítica de Mercúrio, ao qual chegará em Janeiro de 2008.

Do sobrevoo pela Terra, fica a imagem do nosso planeta.


Na foto do lado esquerdo a Terra surge em cores já conhecidas. No lado direito, a imagem foi obtida com predominância de cor sobre os infravermelhos, pelo que as áreas de maior vegetação, absorvendo os comprimentos de onda da luz naquela banda, surgem a vermelho carregado em contraste com zonas geográficas onde a vegetação escasseia e a superfície é mais reflectora “luminosa”. No centro das fotos poderemos distinguir a América Latina, na direita África e no topo a América Central e do Norte.

Mais informação pode ser recolhida nos sítios abaixo:

Vistas do Sistema Solar
Missão Messenger
Nasa

 
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